Este registro nasce na matéria de Oficina, tendo como matéria-prima a escuta atenta do espaço físico do LabCom. Antes de qualquer intervenção, o ambiente já possui sua própria assinatura acústica: o zumbido contínuo dos equipamentos, o ar condicionado em ressonância com as paredes, os passos ritmados no piso e o silêncio entrecortado pelas conversas.
Ao captar e retrabalhar essas frequências em uma produção sonora ambiental, o espaço deixa de ser apenas um cenário de trabalho para se tornar o próprio instrumento. Cada reverberação e textura capturada foi moldada para criar uma paisagem imersiva, revelando camadas sonoras que costumam passar despercebidas na rotina diária do laboratório.
Ouvir esta faixa é reviver a temporalidade do LabCom — não como uma documentação estéril, mas como uma reconstrução sensível da atmosfera, da matéria e da presença compartilhada naquele espaço. A proposta é uma intervenção antropológica exposta, sem intenção de esconder a nossa interferência na normalidade do ambiente, uma etnografia sonora momentânea sobre as bolhas sociais e espaciais do LabCom.